O General

25/09/2017 11h53

Este é um texto Ficcional.

O General,

Era manhã do feriado de sexta-feira na sede do Décimo Primeiro Comando do Exército em Brasília. Estava reunido o alto comando das três forças armadas à espera dos convidados de honra, o presidente da república, da câmara dos deputados e do senado.
A chegada estava prevista para às oito horas, após o café da manhã entre o comandante do Exército, da Força Aérea e da Marinha e os membros de seus gabinetes.
As Forças Armadas ainda são a última reserva da Honra, Moral e Ética, da responsabilidade e de compromisso com os destinos dessa pobre, infeliz e humilhada Nação Brasileira. Se eles falharem, assistiremos a um apodrecimento inexorável de todas as instituições brasileiras até que todos os Estados se transformem em um grande Rio de Janeiro e acabemos em uma interminável guerra civil, o que não está muito longe de acontecer a ponto de deixarmos com inveja os criminosos que hoje destroem a Venezuela.
Sabe-se que as Forças Armadas contam com profissionais de alto nível em quase todas as áreas do conhecimento humano. Têm várias academias espalhadas pelo país, cujo ingresso é assaz concorrido o que transforma seus alunos em cidadãos de alto nível de conhecimento, capazes e honrados.
Dentre eles, os melhores são convidados a permanecer nas Forças Armadas, o que a maioria aceita e passa a compor a força do pensamento de vanguarda para o atendimento das necessidades de formação e força de trabalho de pesquisa sobre assuntos militares, como defesa, assegurando estabilidade das instituições e de tudo o que acontece na área civil do país, estando assim, as Forças Armadas, prontas a intervir sempre que se nota algum tipo de instabilidade institucional.
Assim, enquanto o país passa por uma turbulência institucional nos últimos quinze anos, o Alto Comando das Forças Armadas tomou a iniciativa de recolocar o trem novamente nos trilhos.
Após estudos dos técnicos das Forças, sobre a situação vexaminosa em que o país se encontra, e, não vendo perspectivas de melhora, ao contrário, há sinais de que a coisa vai piorar ainda mais, e em tempo muito curto, formou-se no âmbito do Exército, Marinha e Aeronáutica comissão regimental de gestão de risco e instabilidades institucionais
A insatisfação popular, o elevado nível de corrupção, o baixo crescimento da economia, o relacionamento com as outras nações, a insustentável carga tributária, alto índice de criminalidade, dentre outros desequilíbrios, sensibilizaram os militares a procurar atender ao apelo popular, sem entretanto provocar qualquer abalo nas instituições e no dia a dia da nação.
Não queriam um novo trinta e um de março. Não queriam uma revolução, muito menos um golpe militar.
O alto comando tinha convicção de que o executivo, há muito, havia perdido a condição de administrar a Nação. Passou a gerir tão somente os interesses de seus integrantes e de seus comparsas.
O congresso, com muitos de seus integrantes envolvidos em processos criminais, passou a fazer outra coisa, senão a defesa dos interesses de seus ocupantes e o judiciário, contaminado pela podridão dos outros dois poderes, perdeu a condição de julgar e aplicar as leis.
O Brasil estava precisando de um norte urgente, e este seria dado pelo alto comando das forças armadas. Havia chegado o momento. A nação não poderia esperar mais tempo. O tempo era agora.

25/09/2017

A comitiva esperada chegou em vinte e dois carros pretos. Isso mesmo, vinte e duas viaturas oficiais.
Os três comandantes estavam perfilados à espera de seus convidados. Um outro grupo, bem maior em seus trajes de gala, esperava ao lado direito dos comandantes. O Coronel, encarregado do cerimonial, dirigiu-se aos três presidentes e saudou-os com continência e aperto de mãos, em seguida os acompanhou até o alto comando e, após as formalidades, dirigiram-se ao pequeno auditório, anexo ao gabinete do comandante da Décima Primeira Região Militar do Exército.
Motoristas e demais acompanhantes das autoridades foram encaminhados a uma ampla sala , onde os militares se preparavam para cumprimento da ordem do dia que ali era troca de roupas para exercícios de campo.

28/09/2017 18h24

À mesa estavam o comandante do Exército, o comandante da Aeronáutica e o da Marinha, o coronel do cerimonial, o porta-voz do Exército, o General encarregado da equipe de pesquisa, e os chefes das equipes de pesquisadores. Ao lado estava a estenógrafa e a equipe encarregada de registrar em vídeo o que ocorreria naquele auditório.
Nas três primeiras cadeiras, à frente da mesa dos militares, estavam os três convidados, como se estivessem em um tribunal militar em julgamento.
O clima no ambiente não estava leve. Havia entre os convidados, perceptível desconforto diante da situação, quando o coronel, do cerimonial, levantou-se e agradeceu a presença de todos, explicando o motivo de estarem ali, naquele feriado, esclarecendo que, o que seria tratado era dos fatos mais importantes da república e informando a pauta da reunião, após o que, passou a palavra ao General coordenador dos trabalhos.
– Bom dia senhor Presidente da República, presidente da Câmara dos Deputados e presidente do Senado. O assunto a ser tratado aqui é dos mais importantes, senão o mais importante. O que motivou os estudos de nossas equipes e consequentemente este encontro é a caótica situação por que passa o país, há mais de vinte anos sem que se vislumbre sinal algum de que a solução possa aparecer no curto e no médio prazo. A situação é tão grave que, sob o ponto de vista de nossos pesquisadores, a guerra civil em que se encontra a população do Rio de Janeiro, tende a se alastrar por todo o país. Chegou até nós o clamor da sociedade que não suporta mais assistir, diuturnamente, o que tem acontecido no Executivo, no Legislativo e até no Judiciário. Temos visto manifestação de alguns militares sobre a situação e consideramos que este é o momento de tomarmos medidas severas, objetivando eliminar estes ruídos nos meios de comunicação, ao tempo que passaremos aos senhores cópias das pesquisas realizadas em forma de medidas saneadoras dos problemas que deverão estar concluídas até o último dia do mandato do próximo presidente da República, seja ele quem for.
Não temos absolutamente nenhum projeto de intervenção militar na vida civil da Nação, ao contrário, estamos aqui garantir a paz nacional e orientá-los a tomar as medidas necessárias para uma mudança radical nos assuntos de estado e as Forças Armadas serão as avalistas dessas medidas e acompanharão com rigor suas aplicações, punindo severamente quaisquer desvios que possam acontecer.
– E vocês tem poder para isso? Perguntou o presidente da Câmara dos Deputados.
– Nós temos baionetas e não vacilaremos usá-las se necessário. É forte, mas necessário para eliminar essa frouxidão que impera em todos os poderes.
– É uma ameaça? Perguntou o presidente do Senado.
– É uma advertência – respondeu o General.
– Não sou obrigado ficar aqui, ouvindo isso! Resmungou o presidente da câmara.
O sargento atrás, cochichou aos seus ouvidos: Seria prudente não se levantar, prestar muita atenção nas mensagens da mesa. Obrigado! E deu um leve e convincente aperto militar em seu ombro.
– O presidente da República – continuou o General - receberá o primeiro volume contemplando as medidas a serem tomadas, o Presidente da Câmara dos Deputados, dois volumes, sendo um deles o que a Câmara deverá fazer para viabilizar as medidas do Executivo e o Presidente do Senado, três volumes, um deles o que o Senado deverá fazer para viabilizar as medidas tomadas pelos dois primeiros.
Lembramos que nós não temos nada contra os senhores, pois serão os instrumentos de mudanças que a Nação exige. Mas lembramos que essas reuniões também ocorrerão com o Judiciário e temos certeza de que após isso, muita coisa mudará no conceito de impunidade de agentes públicos.
Finalmente, deixamos claro que essa foi a maneira que encontramos para evitar de fato uma intervenção militar, que, sabemos como começa mas não temos a mínima ideia de como e quando terminar.
Passo a palavra ao Porta Voz das Forças Armadas para leitura das instruções contidas nesses volumes, ao tempo que, abro espaço aos senhores e aos componentes da mesa que queiram se manifestar antes do início da leitura.
O primeiro a pedir a palavra foi o presidente da República.
– Gostaria de saber por que nossos assessores não estão aqui, nessa tão importante reunião, como alegam os senhores?
– Seus assessores estão participando de outras atividades, e, os senhores não terão necessidade de sua assessoria. Não neste momento, pois o que tem ocorrido no País, sinaliza que a qualidade dela é assaz duvidosa.
– Mais alguma pergunta? Não? Então com a palavra o General, porta voz do Alto Comando das Forças Armadas.
– Senhores! Antes de iniciar a leitura das metas definidas por esse Alto Comando Militar, lembro que o abalo da confiança da sociedade civil e de agentes econômicos provoca essa instabilidade que vem desde os dois primeiros governos que antecederam a este e este está procurando consertar os desarranjos da maneira mais desastrada possível.
A partir deste momento não se admitirá os fatos até ontem acontecidos no Executivo, Legislativo e Judiciários. Os três poderes serão monitorados, acompanhados e corrigidos sempre que se notar desvios de conduta.
Entendam que as Três Armas estão absolutamente em sintonia nesses propósitos de colocar este enorme trem, chamado Brasil, nos trilhos em um espaço de tempo o mais curto possível. E caso ocorra a alguém pensar em ilegalidade ou inconstitucionalidade ou ainda em abalo à democracia, lembramos que um país democrático é aquele em que os poderes constituídos existem para servir a sociedade e não para se servir dela. E, até hoje não vimos qualquer benefício ao país que possa ter sido produzido pelo Executivo, Legislativo e Judiciário.
Assim, os três poderes, a partir de hoje, estarão sob tutela das Forças Armadas e juntos faremos um novo país. Nós ditaremos as regras, manteremos a ordem, sem, contudo, intervir nos poderes constituídos, e, após concluídas essas reuniões, faremos um comunicado à Nação, objetivando acalmar os ânimos e deixar claro que a partir de hoje as Forças Armadas estarão vigilantes aos acontecimentos no país, no Governo, no Congresso e no Judiciário e, caso o resultado seja o esperado pelas Forças, não ocorrerá nenhuma anormalidade, entretanto, uma intervenção pode ocorrer se notarmos que, entre os três poderes, surjam sinais contrários aos nossos propósitos. A partir de agora vocês tomarão as medidas previstas nestes manuais. Esclarecemos que elas foram compiladas em pesquisas realizadas por nossos especialistas em vários países, em vários segmentos da atividade governamental, legislativa e econômicas. É claro que os estudos foram realizados em países do primeiro mundo capitalista e liberal. A partir de hoje não serão toleradas premissas ou ideologia pautadas em países que não se enquadrem nos princípios dos países em que as pesquisas foram realizadas.
Temos convicção de que sairemos vencedores dessa nova fase da vida nacional. Não temos outra alternativa senão a da vitória.
Temos um compromisso com nosso povo e principalmente com as nações amigas, o compromisso de sermos parceiros confiáveis, íntegros e estáveis, observando rigorosamente os acordos no âmbito da OCDE, OMC, OIT, O ACORDO DE PARIS PARA O MEIO AMBIENTE, e qualquer outro patrocinado pela ONU.
Lutaremos com todas as forças para tornar o país, uma Nação relevante nos destinos do mundo, contribuindo para manutenção da paz na humanidade e contribuir para soluções de conflitos em algumas regiões, observando-se as diretrizes emanadas do Conselho de Segurança da ONU.
A partir de hoje serão considerados ilegais, pelas Forças Armadas, nos próximos dez anos, os movimentos dos sem terra, dos sem teto e outros com igual ideologia.
A partir deste momento passo à leitura dos tópicos constantes dos volumes aos senhores destinados.

07/10/2017 12h52

Antes de começarmos a leitura das medidas - disse o comandante do Alto Comando do Exército - quero falar algumas coisas que estão enroscadas há muito tempo.
A maneira frouxa com que nossos políticos tratam a Venezuela é uma consequência direta do pavor que eles têm de ser chamados “de direita” pelos companheiros da esquerda das republiquetas dessa parte das Américas.
Não faz muito tempo, um funcionário do governo de Israel, descreveu o país como um “anão diplomático”. Doeu. Sempre dói, naturalmente, quando o ofendido ouve a verdade, sobretudo se ela bate de frente com questões de amor próprio.
O pior é ser a mais pura verdade, sim, o Brasil tem muito pouca importância no mundo. Nossos diplomatas, então, têm menos importância ainda.
Mas para quem fica incomodado com a nossa baixa estatura internacional, as perspectivas estão abaixo de ruins, e pior, caindo.
Como poderia ser diferente, se a diplomacia brasileira faz tudo o que pode para continuar provando ao mundo que o Brasil é um anão?
Os últimos esforços do Itamaraty para nos manter como um país de terceira categoria aparecem, à vista de todos, com sua recusa em tomar uma atitude contra essa Venezuela que afunda cada vez mais numa ditadura grosseira e primitiva.
Uma alma otimista poderia achar que as coisas iriam melhorar com o despejo da ex-presidente Dilma Rousseff e do PT do governo. Afinal, junto com o seu antecessor, ela tinha jogado a diplomacia brasileira numa das piores fossas em que jamais esteve durante a história republicana.
Deportaram refugiados cubanos de volta para Cuba, insultaram a Itália dando asilo a um homicida condenado legalmente na justiça, declararam que o Brasil tinha conseguido “a paz no Oriente Médio” e daí para baixo e para pior.
Parecia impossível que as coisas pudessem piorar com o novo governo, certo? Errado. Continuamos, um ano após a troca da direção, a nos comportar como uma república de bananas, sem princípios, sem ideias e sem envergadura moral. A novidade é que a política externa brasileira acrescentou mais um item à sua falta geral de virtudes – o medo.
A maneira frouxa com que trata a ditadura da Venezuela é uma consequência direta do pavor que nossos políticos, a quem coube mandar no Itamaraty no pós-PT, tem de ser chamado “de direita” pelos adversários. É uma doença de nascença. Não se conhece cura para isso.
A “reforma política” é mais um grande momento na história nacional da vigarice.
Sempre que aparece no noticiário a informação de que os políticos deste país estão fazendo alguma coisa “enxuta”, pode-se contar: estão preparando mais um golpe do vigário contra os interesses do povo e particularmente contra o seu bolso.
A palavra “enxuta”, no dialeto do governo e de todos os partidos, sem exceção, quer dizer que a medida a ser tomada vai se resumir a meia dúzia de coisinhas que não resolvem absolutamente nada daquilo que teria realmente ser resolvido; em compensação, essas mesmas coisinhas sempre trazem benefícios materiais, diretos e imediatos para suas excelências. Esse modus operandi, como se diz nas delegacias de polícia, tem uma dupla vantagem. De um lado, fornece aos senhores parlamentares da extrema esquerda, da extrema direita e do extremo centro uma desculpa prévia por não aprovarem as providências que tinham a obrigação de aprovar – afinal, trata-se de uma coisa “enxuta”, resumida, e portanto não há espaço para incluir ali as decisões importantes, que precisam ser estudadas com calma e devem ser tomadas com prudência, no futuro.
De outro lado, permite que eles enfiem no projeto, sem chamar muita atenção, as mudanças que realmente estão querendo para já – as mais urgentes e mais rentáveis. Como se trata de uma operação “enxuta”, da qual nem vale a pena falar muito, fica mais fácil esconder os seus truques lá dentro: se tivessem de socar de uma vez só tudo o que ambicionam, estariam correndo o risco de uma overdose.
A “reforma política” prestes a ser apreciada pelo Congresso é mais uma bela obra na arte de roubar no jogo com a desculpa de “fazer o possível agora, e o ideal mais tarde”. Na realidade, o que se tem é safadeza já, e o correto nunca. Essa reforma é o que há, em matéria de mudança “enxuta”. Não vai mexer (fica para “depois”, a partir de 2020, 2030, etc.) em nenhuma das aberrações mais infames da atual legislação eleitoral – fim do voto obrigatório, fim do horário político obrigatório no rádio e tevê, fim dos partidos de aluguel, fim dos vices e por aí afora.
“Não é o momento” para mudar nada disso, dizem os nossos representantes. Considerou-se um exagero, por exemplo, exigir que um partido tenha pelo menos 3% dos votos nas eleições para continuar existindo – ou melhor, para continuar metendo no bolso o dinheiro que o erário distribui através do “fundo partidário”.
Basta que consigam 1,5%. É bom para os pequenos, claro, e para os grandes, que querem garantir a existência no Congresso de um estoque de votos sempre prontos para a compra e venda, na hora de aprovar ou rejeitar alguma coisa no plenário.
Sobra o que, então, na “reforma enxuta”? Exatamente aquilo que se podia esperar. Inventaram um negócio chamado “distritão”, que 99% da população não sabe o que é, para evitar o perigo do voto distrital, adotado em todas as democracias que funcionam – a única mudança realmente capaz de melhorar o sistema eleitoral criminoso que vigora no Brasil.
Mais que tudo, naturalmente, foram direto para cima do Tesouro Nacional: propõem a criação de mais um fundo para o “financiamento público” das campanhas eleitorais, que será sustentado com os impostos pagos pelos contribuintes. Estão querendo dinheiro grosso: de 3,5 a 4 bilhões de reais já em 2018, ou até cinco vezes mais os 800 milhões por ano do atual “fundo partidário”. O pai da proposta é um deputado do PT – mas os partidos adversários são cúmplices integrais desse roubo. Para completar o serviço, Sua Excelência pretende chamar essa trapaça de “fundo de financiamento à democracia”. Como se diz, é juntar o insulto à injúria.

Muito barulho por quase nada: a queda sua presidente. Vem, vai, volta, vem de novo e continua não acontecendo. É a nossa “agenda política”
O cardápio de questões políticas que está sendo servido ao público em geral, já há tempos, reflete o que os garçons querem vender para os clientes e não o que existe realmente na cozinha. O grande prato em oferta durante os últimos meses, mas que nunca chega à mesa, por maiores que sejam os esforços investidos na sua oferta, é o “Fora Presidente”. Já se confirmou no mundo dos fatos, uma porção de vezes, que isso não existe; não há os ingredientes, nem o cozinheiro e nem a vontade dos fregueses em pedir o que o restaurante quer que eles comam. Mas nada disso tem feito diferença até agora. A permanecer essa curiosa situação de extrema oferta e baixíssima procura, o “Fora Presidente” continuará por aí até o dia em que você passar a faixa ao seu sucessor no dia 31 de dezembro de 2018.
A população brasileira, nesse caso, receberá mais ou menos a seguinte informação: “Caiu o Presidente.” Até lá será preciso conviver com o surto descontrolado de desejos que passam por notícias, e cujo resultado final se resume a deixar mal informado quem presta atenção no que lê, ouve ou vê diariamente no noticiário.
A votação do parecer da Comissão de Justiça da Câmara que opinou por não autorizar o processo penal do presidente por parte do Supremo Tribunal Federal. Isso não faz com que ele se torne melhor, ou pior; apenas mostra que o público ouve uma coisa e acontece outra. Durante semanas a fio, os políticos da “oposição”, os formadores de opinião e a esquerda nacional levaram extraordinariamente a sério a possibilidade de uma derrota fatal do presidente; acabaram ficando 115 votos abaixo do mínimo que precisavam para ganhar a votação em plenário. Ou seja: a hipótese que circulou este tempo todo, com contas dramáticas e diárias de “a favor” ou “contra”, trocas de “lealdade”, tremores de terra entre os aliados do governo, etc., etc., simplesmente não era nada. É natural: nada sai do nada.
Tem sido assim desde o começo dessa história lamentável, que acabou virando a “agenda política” do Brasil atual. Começou com a exigência escandalizada de um “gesto de grandeza” do presidente; ele deveria renunciar e com isso todo mundo ficaria feliz, a começar pelo ex-presidente Cardoso.
Tratava-se de algo tão possível como um triângulo de dois lados – mas a hipótese chegou a ser dada como altamente viável, ou até iminente. Seguiram-se os repetidos anúncios de derrota do governo na votação de seus projetos no Congresso; a cada vez que o presidente ganhou anunciou-se que perderia na próxima. Viriam as “diretas já”; nunca vieram. O resto é mais do mesmo. A Comissão de Justiça daria um parecer contra o presidente. O parecer foi a favor. A oposição e os “dissidentes” iriam adiar tudo; não adiaram nada. Seria difícil o governo conseguir quorum para votar o parecer; no dia marcado compareceram mais de 490 deputados, num total de 513. Desde então anuncia–se que o resultado da votação foi uma grande derrota para o governo, embora tenha havido uma vantagem numérica – meramente numérica, coisa que, como qualquer cientista político sabe, não quer dizer nada.
Ninguém, como já se disse mais de 1.001 vezes, tem a menor obrigação de gostar do presidente e de seus amigos do presente ou do passado. Mas isso não dá força a quem não gosta dele, e nem muda os fatos. Trata-se de realidades bem simples. Lula e seus seguidores são minoria absoluta no Congresso. Não levaram a população “às ruas”, fora uns grupinhos de gente a seu serviço. Pesquisas que perguntam se você é “a favor de que sejam apuradas as acusações contra o presidente”, ou “a favor de cortarem os seus direitos”, não valem nada e por isso não influenciam ninguém. Tirar legalmente um presidente da República do cargo é algo extremamente difícil – é preciso contar com uma Dilma para dar certo, ou um Fernando Collor, que, aliás, renunciou antes de ser deposto. É complicado formar maiorias verdadeiras pregando o extremismo, porque a maioria da população não é extremista – e o evangelho da oposição, hoje em dia, se resume a isso, mais elogios à Venezuela, incentivo repetido à desordem e aumento dos gastos do governo. É pouco, para virar a mesa.
(Texto adaptado de JR Guzzo da Veja)
Esse projeto das Forças Armadas transformará a Presidência da República em uma instituição admirada pela sociedade brasileira. Estejam os senhores certos de que nos próximos dez anos, tempo em que as atividades do executivo, Legislativo e Judiciário estarão sob a tutela das Forças Armadas. Com certeza não teremos um presidente que não faça jus ao cargo, que não estejam à altura das responsabilidades que o cargo exige. Ele transformará o presidente e demais autoridades deste país e todos os que exerçam algum tipo de autoridade em servidores públicos e não mais uma casta de privilegiados. Após esse tempo, o país certamente estará vivendo a democracia em sua plenitude, e não mais essa vergonha, esse fiasco a que vocês chamam de democracia quando a sociedade transfere quase cinquenta por cento de tudo o que produz para manutenção dessa casta de privilegiados, corruptos, falsos homens públicos, ícones da roubalheira que impera em todos os cantos deste imenso país. Tenham certeza de uma coisa: Isso acabou!
- Os senhores estão esquecendo que, como Presidente da República, eu sou o Comandante Constitucional Supremo das Forças Armadas?
- Eu respondo com outras perguntas: O senhor acredita que existe neste país alguém em sã consciência que o vê como um exemplo a ser seguido? O senhor se considera um estadista? O senhor responde a alguma acusação na justiça sobre sua conduta como cidadão brasileiro? O senhor se considera uma pessoa cuja retidão está acima de qualquer suspeita? O senhor se considera um inovador na política deste país? O senhor se considera uma inspiração às pessoas que o rodeiam? É claro que não precisa responder, pois já sabemos as respostas. Mas, para que possamos considerar uma pessoa o chefe supremo das Forças Armadas essa pessoa tem que possuir essas qualidades básicas e muitas outras.
O povo deste país, senhor Presidente, sempre foi verde, azul, branco e, o amarelo tem sido roubado por essa casta de vagabundos que assola nosso país desde há muito tempo. Nossa missão, senhor presidente, será mudar isso de uma vez por todas e livrar o país do atraso constrangedor diante do progresso das outras nações.
Agora, sem mais perda de tempo, peço ao Porta Voz das Forças Armadas que dê início à leitura das medidas a serem colocadas em prática imediatamente.
Empresas Estatais

Com a palavra, o comandante da Aeronáutica, o Sr. Tenente-Brigadeiro do Ar
Obrigado, comandante!
Se no Brasil existe fonte inesgotável de roubalheira, essa fonte são as empresas estatais. O que aconteceu e acontece com a Petrobrás, Banco do Brasil, BNDES, Correios, Caixa Econômica, Eletronuclear, Eletrobrás e em todas as demais empresas da União, dos Estados e dos Municípios é de uma . . . é tanta desfaçatez que torna difícil encontrar um adjetivo que defina a ação desses delinquentes que tomaram de assalto as empresas. Eu não vou descansar, companheiros da mesa, enquanto não ver cada um desses vermes que lançaram mão do patrimônio do povo brasileiro, passar uma boa temporada encarcerados em prisões de segurança máxima, sem absolutamente nenhuma regalia. O que fizeram foi uma monstruosidade.
Vocês podem imaginar uma empresa estatal com quinhentos e sessenta e cinco membros do conselho de administração? Os conselhos dessas empresas não passa de cabide de empregos para essa corja de vagabundos protegida pelo executivo, pelo judiciário e pelo Legislativo. É inaceitável, senhores, que isso continue.
Como medida saneadora, nos próximos cinco anos não haverá nenhuma empresa com participação dos Municípios, dos Estados. ou da União.
O que deve ser feito está muito claro nesses volumes que os senhores receberam.
NÃO HAVERÁ EXCEÇÃO, serão todas privatizadas nesses próximos anos.
Portos, aeroportos, estradas, hidroelétricas, ou qualquer outra fonte de energia elétrica, redes de transmissão serão leiloadas para a iniciativa privada, nacionais ou não.
Patrimônio do povo brasileiro? alguém pode alegar.
Eu digo que o patrimônio do povo brasileiro é esse imenso território, é a sua dignidade, sua liberdade de criar, empreender, crescer, pois a essência do liberalismo é a crença na dignidade do indivíduo, em sua liberdade de usar ao máximo sua capacidade e oportunidade de acordo com suas próprias escolhas, sujeito apenas à obrigação de não interferir com a liberdade de outros indivíduos, escreveu M. Friedman. É essa liberdade que vamos garantir a todos, sem distinção de raça, cor, religião ou origem.
Pode, o porta-voz, passar para o próximo tópico?
– Sim senhor Tenente Brigadeiro

O fim do Foro Privilegiado.

– Peço ao companheiro da mesa, o comandante da Marinha, senhor Almirante de Esquadra que esclareça aos nossos “convidados” esse importante tópico.

– Prezados companheiros da mesa, senhores presidentes e demais convidados, o “Foro Privilegiado” é um escárnio à nação brasileira, ao povo brasileiro. Fica extinta para sempre essa aberração constitucional. Ela existe para dar guarida à uma incontável rede de criminosos encastelada nos três poderes. Nenhuma ação, qualquer que seja sua origem, alcançará diretamente o Supremo Tribunal Federal. Todas, sem exceção, passarão, previamente, pela primeira e segunda instância do Judiciário. E, quando confirmadas pela segunda instância, passará o condenado a cumprir sua pena, qualquer que seja. Esse é um dos tópicos considerados prioritários. A Constituição deve ser emendada imediatamente para dar amparo a essa mudança.
Ninguém neste país estará acima das leis. E esse Foro Privilegiado protege a pior espécie de brasileiros que todos conhecemos, sem necessidade de catalogar aqui essa gente. Nunca é bastante lembrar aos senhores que essas mudanças são urgentes e necessárias, ao contrário, elas serão feitas pelo Alto Comando das Forças Armadas. Espero ter ficado clara, aos senhores, a posição da mesa.

06/11/17 - 12h1min.
Dos Tribunais de Contas

Todos os tribunais de contas dos municípios e dos estados da federação serão extintos e suas atribuições transferidas aos quatro Tribunais Regionais de Contas a ser criados, a saber:
Tribunal de Contas do Norte e Nordeste, Tribunal de Contas do Oeste, Tribunal de Contas do Leste e por fim, Tribunal de Contas do Sul e Sudeste.
Seus membros, nunca superior a onze juízes, serão eleitos pelas pessoas que exerçam atividade judicial na região do tribunal, para um mandato de cinco anos, renováveis por mais cinco, sem direito a veículo oficial ou auxilio moradia, e suas campanhas serão realizadas exclusivamente pelas redes sociais, onde apresentarão seus currículos e relação de obras publicadas e de eventuais pesquisas sobre as atividades de fiscalização de contas atividades de auditoria, e serão regulamentadas, aplicadas e fiscalizadas pelas OAB da região do tribunal, sendo vedada todo e qualquer material impresso, de áudio ou televisivo.
As equipes de escriturários, analistas e técnicos dos gabinetes dos juízes serão exclusivamente compostas por funcionários de carreira, ingressado no serviço público através de concurso realizado na região do tribunal, aberto a brasileiros natos, com idade superior a vinte anos, com curso superior, residentes em qualquer parte do território nacional.
A atividade de auditoria, realizada por auditores, que terão acesso à carreira, através de concurso interno no tribunal, será realizada via contas do Banco Central e realizada in loco, por equipes de auditores nas sedes dos municípios e dos estados a cada seis meses, sem prejuízo da apresentação obrigatória anual pelas autoridades das unidades da federação, sendo esses estados ou municípios escolhidos para serem fiscalizados através de sorteio cujo resultado da auditoria será apreciado e julgado pelos juízes do tribunal e eventuais mal feitos praticados por aqueles gestores responsáveis pelas contas não aprovadas, terão seus processos transferidos para a primeira instância da justiça comum para julgamento e condenação, se for o caso, quando ficarão inelegíveis a qualquer cargo eletivo no serviço público, enquanto permanecer em julgamento e inelegíveis permanentemente se condenados.
A presidência do tribunal regional será atribuída ao juiz mais antigo do tribunal, eleito por eles para mandato de dois anos que somados ao tempo de atuação no tribunal, não poderá ser superior a sete anos.
A remuneração dos juízes dos tribunais regionais, em nenhuma hipótese, será superior a, entre parênteses, (0,8 x P), onde P é a remuneração básica do presidente da república.
Dos salários dos juízes dos tribunais regionais será calculada contribuição mensal ao INSS e o tempo de atividade no tribunal, contado para cálculo de sua aposentadoria, que em nenhuma hipótese será diferente da dos demais trabalhadores assalariados, amparados pelo sistema nacional de previdência.
Tudo o que foi comentado aqui, ou não, está tipificado, nos capítulos respectivos dos volumes passados aos senhores.
Peço agora ao porta-voz que continue a leitura do próximo capítulo para comentários de um dos participantes da mesa. Obrigado!

08/11/2017 - 10h49

Da reforma política.

– Sobre a reforma política eu farei os comentários – disse o Comandante do Exército
Prezados companheiros da mesa. Se deixássemos a reforma política por conta do Congresso, sem a menor sombra de dúvida, além de demorar mais de um século, tudo ficaria pior do que está. Alguém tem dúvida disso? O nosso congresso é uma piada. É uma verdadeira casa de tolerância. Pra deixar claro o que quero dizer, aquilo é uma putaria. Nós, os militares e o povo deste país não mais toleramos ver tanta esculhambação, tanto cinismo, tanta roubalheira. Você vê e ouve deputados e senadores dando declarações com a maior cara de pau. E falam sérios, como se fossem os salvadores da pátria. É de um escárnio intolerável.
Então senhores convidados! Vocês farão a reforma política em caráter de urgência, seguindo rigorosamente o que está escrito nos volumes que receberam.
Vou começar pela nova composição do congresso nacional.
O Senado será composto por dois senadores por estado da federação, portanto, cinquenta e dois senadores que serão eleitos pelo voto distrital puro, para um mandato de cinco anos, renovável por mais cinco anos, sem direito a viatura e residência oficiais. Ficam extintas as cotas de gasolina, permanecendo, entretanto, quatro passagens aéreas por ano, exclusivamente para uso no território nacional. Passagens internacionais, somente em missão oficial quando autorizada pelo congresso nacional.
Da folha de pagamento, será deduzido valor para recolhimento da contribuição ao INSS, ficando extinta a aposentadoria especial, e o tempo do mandato contado para sua aposentadoria.
Poderá se candidatar diretamente ao cargo de senador, o brasileiro ou brasileira natos, com mais de quarenta anos, curso superior completo, sem restrição na esfera cível ou criminal, e deputados federais, do primeiro ou do segundo mandato.
Fica preservada assistência odontológica e médica exclusivamente ao titular do mandato, desde que prestados por profissionais com unidade assistencial nas dependências do congresso nacional.
Quanto às equipes à disposição do senador, a regulamentação consta dos volumes impressos em posse dos senhores.

A câmara dos deputados será composta por duzentos e sessenta deputados, distribuídos pelos vinte e seis estados da federação e proporcionais à população de cada estado.
Os benefícios e restrições são as mesmas para todo o congresso, ou seja, senadores e deputados.
Poderá se candidatar ao cargo de deputado federal,o brasileiro ou brasileira com mais de trinta anos e curso superior, completo ou não, sem restrições na esfera cível e criminal, e serão eleitos pelo voto distrital puro, para mandato de quatro anos renovável por mais quatro, quando então poderá se candidatar ao senado.
A carreira política do cidadão brasileiro será de trinta e quatro anos, quando cumprir oito anos na câmara de vereadores, oito anos na assembleia legislativa, oito anos na câmara dos deputados e dez anos no senado. Não será facultado ao candidato, um terceiro mandato em qualquer um destes níveis. Poderá se candidatar, a qualquer tempo de seu mandato, a prefeitura, ao governo do estado e a presidência da república.
Fica extinta a figura do suplente de vereador, do deputado estadual, do deputado federal e do senador. Quando, por qualquer motivo, ocorrer vacância, a indicação será atribuição do prefeito, governador ou do presidente da república.
Deixa de existir o cargo de vice-prefeito, vice-governador e do vice-presidente.

O Distrito Federal não terá representante na câmara dos deputados e no senado. E o número de deputados distritais, será reduzido de vinte e quatro, para doze deputados.

O presidente da república será o chefe de estado e representará o país nos fóruns internacionais, firmará acordos com as demais nações e representará o país na Organização das Nações Unidas – ONU.
Será eleito pelo voto direto para um mandato único de oito anos, com direito a todas vantagens previstas para o atual presidente.
Poderá se candidatar ao cargo de presidente da república federativa do Brasil, o brasileiro ou brasileira natos, sem restrições nas esferas cível e criminal, ter mais de quarenta anos, curso superior completo.
O Gabinete do Presidente da República Federativa do Brasil, será composto de:
1 – Secretaria de Estado da Presidência da República.
2 – Secretaria de Estado das Forças Armadas.
3 – Secretaria de Estado das Relações Exteriores.
O Presidente da República terá poderes para destituir o primeiro-ministro e seu gabinete, quando este perder a condição da governabilidade.
Terá poderes de suspender as atividades do congresso, e chamar novas eleições, quando este apresentar fissuras políticas incontornáveis.
Eu, acredito que, com as novas regras para o congresso, essa possibilidade será muito remota, mas não impossível.

O primeiro-ministro será o chefe de governo e será eleito pelo voto secreto e indireto do congresso nacional para um único mandato de cinco anos. E seu gabinete será composto por secretarias de governo, e não mais ministérios, serão elas:
1 - Secretaria de Governo da Casa Civil
2 - Secretaria de Governo da saúde e do bem estar.
3 - Secretaria de Governo do Interior e da Agricultura
4 - Secretaria de Governo da Educação e Cultura
5 - Secretaria de Governo da Indústria e do Comércio
6 - Secretaria de Governo da Infraestrutura
7 - Secretaria de Governo das Comunicações
8 - Secretaria de Governo do Meio Ambiente
9 - Secretaria de Governo de Minas e de Energia
10 - Secretaria de Governo da Justiça e da proteção à Infância e à Juventude
11 - Secretaria de Governo de Assuntos do Trabalho.
12 - Secretaria de Governo - Fazenda e Planejamento

11/11/17 12h44

A escolha do secretariado é atribuição do Primeiro Ministro. O secretariado será escolhido segundo as competências dos candidatos para realização de um período de trabalho. Jamais será destinado a acolher pessoas por sua ideologia. Nos próximos vinte anos, não se admitirá manifestações ideológicas no governo, qualquer que seja o nível, e, ideologia de gênero está banida de qualquer área do governo e em instâncias educacionais.
Ao Primeiro Ministro é facultada a criação ou extinção de secretaria de governo, desde que analisada e autorizada pela Presidência da República.
Podem os senhores ter alguma dificuldade de entender, neste momento os desdobramentos das mudanças apresentados pelos componentes desta mesa, mas, nos guias que receberam, estão claras as providências a serem tomadas.

Composição das assembleias legislativas

Procuramos aliviar a carga sobre os ombros dos contribuintes nos estados – continuou o Comandante do Exército - assim, fica determinado que o número de deputados estaduais será proporcional à sua população, ou seja, para cada oitocentos mil habitantes será eleito um deputado e o número mínimo será de doze deputados estaduais. Assim, o estado mais populoso terá cinquenta e seis deputados e o menor estado, o mínimo de doze.
Nenhum deputado estadual terá direito à viatura oficial, verba de representação, verba de gabinete ou ajuda de custo para despesas residenciais e serão eleitos pelos votos de seus distritos para um mandato de quatro anos renováveis por mais quatro excluindo-se a possibilidade de se candidatar a um terceiro mandato de deputado em seu estado.

Das Câmaras de Vereadores

A câmara de vereadores da cidade mais populosa terá quarenta vereadores, ou seja, trezentos mil habitantes por vereador.
O vereador será eleito por seu distrito para um mandato de quatro anos, renováveis, através do voto para um novo período de quatro anos.~Excluindo-se a possibilidade de se candidatar a um terceiro mandato de vereador em sua cidade.
O vereador não terá direito a viatura oficial, ajuda de custo para despesas residenciais, verba de gabinete. Poderá, entretanto, se descolar em missão oficial por táxi ou por aplicativos de transporte individual.
A câmara de vereadores não terá gabinetes de vereadores. Terá tão somente o espaço existente para deliberações e votações de leis em sessões que ocorrerão exclusivamente nas sextas-feiras que se iniciará às oito horas com intervalo de almoço de duas horas e encerramento das atividades legislativas às dezessete horas, prorrogáveis quando for necessário. O vereador receberá remuneração especial por sua participação nas sessões normais e extraordinárias (jetons) para cobertura de despesas com seu deslocamento até o local.
O gabinete do vereador será transferido para a escola municipal de seu distrito, mais adequada para receber tais funções e mais próximo de seu eleitorado para atendimento dos pleitos distritais.
Senhores,
demais regalias ou restrições estão previstas nos livros entregues aos senhores e a intenção deste Alto Comando é transformar os servidores públicos, vereadores, deputados, deputados federais e senadores, objeto de verdadeiro apoio às comunidades.
Acabou o vereador, deputado estadual e federal e senador de carreira.
Qual contribuição pode dar um vereador à sua cidade ao fim de seu oitavo mandato? Ou o deputado estadual, federal ou senador? Ao fim desse tempo o que um funcionário público elegível acumula é tão somente a capacidade de conluios, trapaças ou coisa pior. Isso acabou. Se o cidadão quiser ficar rico, não será no serviço público. Terá que exercer seu talento na atividade privada.

14/11/2017 - 5h48
– Permita-me, comandante, um comentário, antes que continue – pediu o Tenente Brigadeiro do Ar, comandante da Aeronáutica – Em todas as crises por que passamos no país, e não foram poucas, ouve-se a falácia de que chegou a hora de apertar o cinto.
Isso é de um cinismo inaceitável, por que, apertar o cinto sempre recaiu sobre a sociedade. Sobre aquele que trabalha, sobre aquele que tem a responsabilidade da educação dos filhos, da alimentação da família, mas nunca sobre o Estado. Nós estamos mudando isso. Apertarão de fato o cinto aqueles que nunca fizeram absolutamente nenhum sacrifício. Enquanto quatorze milhões estão desempregados, a corja de cafajestes na política, saqueava o dinheiro transferido para o Estado com grande sacrifício pelos contribuintes. Chegou a hora de o Estado “cortar na própria carne” de fato. Chegou a hora de o Estado dar sua contribuição e dará sua grande contribuição, quer queira, quer não. Nós faremos isso.
Estamos instalando, de fato, a verdadeira democracia no país, uma democracia que ampare a todos os brasileiros e a todo aquele que, em nossa terra, veio em busca de oportunidade, e a outros ainda, que apesar de tudo o que tem acontecido por aqui, vê uma tênue oportunidade de investimento. Mesmo tendo consciência do risco de investimento no país. O Brasil deixará de ser hostil ao investimento externo. Os contratos serão honrados, ainda que na ponta da baioneta.
O povo brasileiro conheceu até os dias de hoje, a democracia dos políticos, onde apenas eles tiveram liberdade de fazer o que fizeram. A partir deste momento ele, o povo, terá o direito à liberdade de sonhar e de realizar seus sonhos em um terreno fértil àquele que trabalha, que estuda, que empreende e para isso terá o Estado ao seu lado e não contra, como sempre esteve.
Temos convicção de que o povo estará do lado do Alto Comando das Forças Armadas e sob a proteção de Deus faremos um novo País.
Obrigado Comandante pela oportunidade! Continuemos, por favor.

14/11/2017 11h56

Vereadores das cidades com menos de quinhentos mil habitantes não serão remunerados, não terão direito a viatura oficial – continuou o comandante do Exército – será remunerado por sua participação nas quatro sessões mensais da câmara, ou seja, uma sessão semanal que deverá acontecer às segundas-feiras, à noite. Isso faz parte do corte na carne como disse o Brigadeiro.
Vereadores das cidades com até um milhão de habitantes, apurados pelo IBGE, não atuarão segundo suas especialidades, mas segundo as necessidades de seu distrito eleitoral. Sua remuneração será semelhante às dos vereadores das cidades com até quinhentos mil habitantes, entretanto poderá ampliar o número de sessões, sempre que necessário.
Vereadores das cidades com mais de um milhão de habitantes terão seus mandatos regidos pela CLT, e cumprirão jornada de trabalho de oito horas diárias, e o tempo de mandato, contado para aposentadoria. A CLT passa a vigorar apenas para os funcionários públicos. Para os demais empregados, terá força de lei o que for acordado entre o empregador e seu empregado, com assistência do sindicato da categoria.
Nenhum sindicato receberá subvenção do estado, seja ela, municipal, estadual ou da União.
Sua fonte de renda será a contribuição mensal de seus afiliados, cuja afiliação será voluntária, ou seja, o sindicato deverá conquistar seus afiliados através de campanhas, mostrando ser capaz de prestar assistência sindical e intermediação entre seus afiliados e seus empregadores.
Fica, entretanto, facultado ao sindicato, composição de carteiras de seguros, assistência financeira, odontológica e médica e outras previstas nos mencionados livros com os senhores.
Ao sindicalista, somente será facultado sua candidatura a cargos eletivos, após dois anos de inatividade sindical. Ou seja, dois anos após seu primeiro ou segundo mandatos de cinco anos cada, vedado o terceiro mandato ao cargo a que foi eleito.
Impedimentos extensiveis aos titulares eleitos para a gestão de instituições do sistema S.
Impedimento necessário para evitar a utilização dos sindicados e entidades do sistema S como palanque de suas ambições políticas.

24/11/17 11h25

Antes de voltarmos aos Comandantes das Forças Armadas, gostaria de registrar o que penso sobre a calamitosa situação da cidade do Rio de Janeiro.
As empresas de ônibus (transporte coletivo) além do pagamento de despesas de manutenção, impostos, folha de pagamento e contribuições, atualização de veículos, e o retorno financeiro aos investidores, ainda sobre uma montanha de dinheiro destinado ao pagamento de propinas aos políticos. São milhões e milhões de reais.
É curioso que ninguém – nem usuário, nem os noticiários impressos ou não, nem a sociedade, nem autoridades, comentaristas, enfim, ninguém se lembra de dizer que essa dinheirama toda sai do pagamento das passagens pagas pelos usuários dos ônibus, pelos trabalhadores, por aqueles que deveriam receber como benefício, transporte de qualidade, confortável e suficiente para evitar superlotação.
A conclusão a que se chega é de que o preço da passagem é muito superior ao valor que deveria ser, ou se, mantido o valor cobrado, o transporte deveria ser de qualidade superior ao que se observa no primeiro mundo.
Mas não acontece nenhuma coisa nem outra. O dinheiro roubado dos usuários dos transportes coletivos é destinado aos políticos corruptos, canalhas, que agem como verdadeiras famílias de mafiosos. É muita crueldade, que deveria ser rigorosamente julgada e condenada, para que futuros e potenciais bandidos tivessem receio de meter a mão no dinheiro do contribuinte.
Essa calamidade não acontece apenas na cidade do Rio de Janeiro. Acontece em São Paulo e na maioria das cidades do país.
Se você acredita que alguma coisa vá mudar nos próximos anos!? Não vai. Pode até piorar. Não tem como ocorrer mudanças positivas, mantendo-se a forma de governo que temos hoje, o judiciário, o executivo e o legislativo atuando, como atuam.
Alguém em sã consciência acredita que esses políticos, bandidos que são, tomariam alguma medida em benefício da Nação? Jamais. Vejamos:
O Parlamentarismo e o voto distrital é bom para o país mas não é bom para os políticos. Por quê?
Porque eles perdem a certeza de que são poderosos, de autoridades, dos donos do poder.
Se o congresso não cumprir sua missão constitucional, o Presidente pode fechá-lo e chamar novas eleições, mandando a cambada de vagabundos pra rua.
O voto distrital puro, aproxima o político do distrito que o elege. Assim, ele se torna um funcionário público com responsabilidade com os eleitores de seu distrito. Ele pode errar, mas erra uma única vez.
Os juízes da Suprema Corte (aqui conhecida por STF e ministros como são chamados ), deveriam ser eleitos pelas pessoas que operam a justiça no país para mandatos de cinco anos renováveis por mais cinco, através do voto.
Assim, não terão compromissos com os políticos que os nomearam, mas com a sociedade, tornando-se julgadores independentes, sem rabo preso com criminosos.
Como pode dar certo um supremo cujos juízes são nomeado pelos políticos, para exerceram seus cargos até o fim de suas vidas? Que compromisso tem um juiz desses, com a verdade, com a isenção de seus votos, com a Justiça?
Prezados Chefes das Forças Armadas, (caso tenham contato com este texto), deixando o barco político navegar em águas calmas, os políticos voando em céu de brigadeiro, ou ainda aquartelados em suas confortáveis posições de donos do país, assistiremos a uma inexorável permanência no atraso, sendo no contexto internacional, aquela nação irrelevante e venal.
Intervenção militar não é solução, embora muitos clamam por ela.
Mas. . .se existe alguém em condições de mudar alguma coisa por aqui, são os militares, última reserva de responsabilidade, ética, moral e compromissos com os destinos do país.
Entende-se que a missão dos militares não é consertar nada, mas a defesa da soberania nacional.
Mas é chegado o momento de os militares defenderam a soberania nacional, devolvendo a democracia ao povo, esperança real de dias melhores.
Sem que os militares estabeleçam regras claras de governabilidade, justiça higienização da política praticada no país, o futuro nos promete situação pior do que aquela que assistimos até o momento.
O povo deste país não tem cultura nem amadurecimento para viver a democracia plenamente, o que torna o país terreno fértil a atuação de políticos espertalhões. E estaremos condenados a assistir, nos próximos cento e trinta anos, o que temos visto desde a proclamação da república e deixar o país caminhar para uma Venezuelização, ou pior, transformar o país todo na situação caótica em que se encontram a cidade e o estado do Rio de Janeiro, o que não falta muito, dada a situação calamitosa dos demais estados, sendo São Paulo rara exceção.
As Forças Armadas poderiam considerar o exemplo narrado nesta ficção e salvar o país de um futuro que pode ser ainda pior do que é, e deixar de ser uma vergonha para o mundo.
Eu não vejo outra saída. Alguém tem que fazer alguma coisa, ou as pessoas de talento continuarão a deixar o país, cansados de esperar um futuro que nunca chega, e assistir a derrocada do país, longe daqui, de terras distantes.

A Multidão Impune

Por J.R.Guzzo – Veja
12 dez 2017, 14h30
Quantas pessoas são contra o “foro privilegiado”, ou a “imunidade parlamentar”, essas regras que permitem aos políticos brasileiros serem julgados apenas por eles mesmos quando cometem crimes e, portanto, garantem que não vai haver punição nenhuma para ninguém? Ou que dão a certos indivíduos o direito de serem julgados apenas nas instâncias superiores da justiça? Qualquer pesquisa do Ibope ou do Instituto Santa Izildinha de Opinião Pública vai dar que 100% são contra, podendo, com a margem de erro, chegar a 102%. Mas será que há mesmo neste país tanta gente contra a impunidade? A resposta é: não, não há. Ao contrário, há uma quantidade surpreendente de cidadãos que são a favor – e é justamente por isso que o foro privilegiado e as imunidades continuam a existir. É verdade que há alguns ruídos sobre o assunto no Supremo Tribunal Federal, com educadas sugestões de se “restringir” um tanto esses privilégios — na tentativa de que pelo menos algum crime de peixe graúdo, um só que seja, possa enfim acabar punido. Digamos: se o senador matou a mãe a machadadas, e não conseguiu provar que ela estava infernizando o exercício do seu cargo, talvez possa ter problemas com a justiça. Não seria, nesse caso, julgado “por seus pares”, e sim numa vara da justiça criminal. Mas nem isso está indo adiante. O julgamento começou, parou e não tem data para recomeçar.
O exército que luta pela continuação dos foros privilegiados é vasto e bem armado. Para começar, vai muito além dos deputados federais e senadores – esses aí levam quase toda a culpa pela existência do sistema, pois ficam com a imagem de serem os únicos que tiram vantagem dele. Mas não é assim. Na verdade, é o contrário: há 513 deputados e 81 senadores, num total de 594 beneficiários, e isso é um pingo d’água no total de brasileiros protegidos no momento pelos diversos tipos de impunidade em vigor para quem tem carteirinha de “autoridade”. Pode ser difícil de acreditar, mas o fato é que o contribuinte paga, no presente momento, os salários, benefícios e futuras aposentadorias de nada menos que 55.000 indivíduos que têm o direito de não responder à justiça pelo que fazem, de uma batida de carro ao estupro qualificado – não da mesma forma que respondem os demais 200 milhões de habitantes deste país. Desfrutam dos privilégios, numa conta geral, todos os juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores – incluindo-se aí os “tribunais de contas”. Só de juiz, neste bolo, são mais de 17.000.
Somam-se a eles os procuradores, subprocuradores, promotores e tudo mais que faz parte da armada de ministérios públicos que há por aí. São um monte, acrescidos de “núcleos” — para o Trabalho, o Meio Ambiente, a Cidadania, a Mulher, o Índio, o Gênero e por aí vai, até onde alcança a capacidade do serviço público em multiplicar a própria espécie. Entram também os 27 governadores de Estado, os prefeitos e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Têm foro especial, ainda, todos os ministros de Estado, e aí a proteção vale realmente para qualquer um – vale, por exemplo, para essa ministra que se acha escrava por ganhar só 33.000 reais por mês. Soma-se mais umas turminhas de burocratas aqui e ali, e pronto – eis aí os tais 55.000. Em que país bem arrumado deste mundo existe alguma coisa parecida? Por que o resto da humanidade estaria errada e brasileiros estariam certos? (Juízes e procuradores, aliás, ficam horrorizados com o foro privilegiado e as imunidades dos políticos, mas acham a coisa mais normal do mundo que o mesmo privilégio seja aplicado a eles próprios).
É claro que toda essa multidão, mais suas famílias, amigos e amigos dos amigos, são furiosamente a favor da manutenção das “imunidades”. Não abrem mão nesta vida, de jeito nenhum, de três coisas: os salários acima do teto legal, os “benefícios” que obrigam o cidadão brasileiro a lhes pagar, fora isso, a comida, a casa, o carro e sabe Deus o que mais, e o “foro especial”. Utilizam, em seu favor, um argumento antigo e que hoje se tornou apenas velho – o de que os privilégios legais servem para defender a sociedade inteira, e não apenas os seus beneficiários diretos. Os políticos, por exemplo: não poderiam exercer com liberdade os mandatos para os quais foram eleitos se estivessem sujeitos o tempo todo a processos judiciais que certamente seriam abertos contra eles por seus adversários. Os magistrados e procuradores, da mesma maneira, não poderiam julgar ou denunciar os inimigos da sociedade de forma imparcial e independente, se vivessem sob o risco de ficar atolados em processos judiciais movidos por governos, réus influentes e outras forças poderosas. Seria, em suma, a defesa da democracia, das liberdades e das instituições. Mas não é nada disso.
Nenhum político ou magistrado precisa de imunidades para exercer com liberdade, consciência e autonomia os seus mandatos e funções. Basta que sejam honestos; basta que não pratiquem crimes previstos no Código Penal Brasileiro. As prerrogativas legais que protegem hoje o seu trabalho continuariam a existir, perfeitamente, se fosse suprimido o foro especial como ele funciona; ninguém sugeriu, nem de longe, que tais garantias fossem diminuídas. Se um cidadão honesto não precisa de nenhuma “imunidade” para viver e trabalhar em paz, por que raios um deputado, juiz ou promotor público haveria de precisar? Isso aqui, afinal, não é nenhuma ditadura onde os donos do governo podem cassar deputados ou demitir juízes de direito que os desagradam. O foro especial, na verdade, é inútil para proteger os honestos; serve unicamente para salvar o couro de quem quer roubar, vender sentenças e praticar outros crimes.
Naturalmente, juntam-se aos interessados diretos na defesa das imunidades todos os partidos, lideranças e militantes partidários do Brasil. Estão nessa turma, é claro, todos os escroques das nossas gangues políticas. Mas o escândalo real, neste assunto, é o apoio que a impunidade recebe do PSDB e do PT e seus satélites – os “partidos éticos”, vejam só, que se dizem diferentes do lixo geral e se apresentam ao público, num caso e no outro, como modelos de integridade ou campeões das causas populares. Alguma vez as imunidades prejudicaram um rico? Alguma vez beneficiaram um pobre? Mas aí é que está. O senador Aécio Neves, vice-rei do PSDB, foi flagrado numa tentativa de extorsão e hoje vive sob a proteção do foro privilegiado; no dia da votação sobre o seu destino, a presidente do PT, em vez de comparecer ao Senado, conseguiu estar na Rússia. Pior: do maior líder popular que este país já teve não se ouviu até agora um pio contra essa safadeza disfarçada de “garantia constitucional”. O problema é que quando há uma injustiça deste tamanho na frente de todo o mundo, dessas que clamam aos céus, e você fica em silêncio, não tem saída: você é cúmplice. Lula e o PT, tanto quanto seus grandes adversários, estão a favor do foro privilegiado na vida real. Sem o seu apoio, jamais se mudará nada disso. Mas porque iriam combater o que mais lhes ajuda?

Caiu Temer
Temer, segundo nos dizem, está cada vez mais morto. Só que está cada vez mais vivo
Por J.R. Guzzo - Veja On Line
8 dez 2017, 16h32

É o tipo da coisa desagradável escrever num artigo aberto ao público que os fatos estão ao lado do presidente Michel Temer neste mês de dezembro de 2017. Mas o que se vai fazer? São os fatos — essa praga de fatos, que tantas vezes têm a mania de mostrar justo o contrário daquilo que as pessoas acham tão mais cômodo pensar. Não poderia ser assim, por tudo o que este país vem ouvindo, sem parar, há mais de um ano. Afinal das contas, Temer é Temer. Seu nome só pode ser citado se vier imediatamente depois da palavra “Fora”. Ele é “golpista”. Ele trocou segredos numa catacumba do seu palácio presidencial, e ainda por cima na escuridão da noite, com um gangster bilionário, autor confesso de mais de 200 crimes e preso desde setembro na carceragem da Polícia Federal. Ele vem tendo a sua cassação anunciada, de tanto em tanto tempo, praticamente desde que assumiu a presidência da República. A Rede Globo achou que iria derrubar o homem com telejornais e com jornalistas de cara indignada – parece não ter entendido, até agora, porque ele continua lá. Temer compra deputados, vende ministérios, aluga partidos políticos. Os institutos de pesquisa, enfim, garantem que ele tem popularidade zero, com viés de baixa — sim, popularidade zero, pecado que deixa os comunicadores, formadores de opinião e influencers digitais 100% convencidos, acima de qualquer outra razão, que o presidente da República vale exatamente três vezes zero.
Entram, então, os fatos – e aí é uma tristeza. Se Temer é tão ruim assim, como se diz desde que ele tomou posse, por que o seu governo está sendo tão bom? Sim, é muito chato dizer isso, como foi observado já na primeira linha. Mas como fazer de conta que a realidade, com seus números, pesos e medidas, não existe? Apenas ao longo dessas últimas horas, o público foi informado que a taxa de juros do Banco Central baixou para 7% ao ano – a décima queda em seguida e o menor índice na história do comitê que faz esses registros. Pois é: desde que Temer assumiu, os juros caíram praticamente todos os meses. É ruim isso? Acaba de se anunciar, ao mesmo tempo, que a inflação de novembro ficou abaixo de 0,3% — nos últimos doze meses o total é de 2,5%, a menor dos últimos 19 anos. O ano de 2017, assim, pode fechar com uma inflação inferior a 3%, coisa que não se vê também há duas décadas. É ruim isso? Há aumento na produção, recorde de exportações e diminuição do desemprego. É ruim isso? Das grandes reformas, a trabalhista já passou. A da Previdência pode passar. Ambas foram apresentadas ao público nestes últimos meses como cientificamente impossíveis. De novo: é ruim?
O governo está sendo bem sucedido porque interrompeu, desde o primeiro dia, o mais agressivo surto de estupidez econômica jamais praticado por uma administração pública neste país – esse que foi imposto ao Brasil pela demência suicida da gestão de Dilma Rousseff. Interrompeu, só isso – e depois não mexeu mais em nada. A equipe econômica continua lá, intacta e protegida por um cordão sanitário contra a roubalheira. Um Geddel Vieira, por exemplo, podia traficar no Ministério da Cultura, ou coisa parecida. Mas não se permitia a sua entrada no Tesouro Nacional, nem no Banco Central, nem em lugar algum onde pudesse causar as calamidades de uma Dilma. Nem ele nem qualquer outra estrela do ex-governo Lula, de onde veio, por sinal, quase toda a turma da pesada que hoje roda por aí nos carros chapa branca do governo federal.
Os institutos de pesquisa provavelmente vão continuar mostrando que a aprovação de Temer permanece em queda. Quando algum dos projetos do governo passar no Congresso, será dito que a vitória, na verdade, foi uma derrota, por isto ou por aquilo. Quando vierem os próximos números positivos da economia, vão dizer que as melhoras provocam pioras – no caso da queda dos juros, por exemplo, foi lamentada a redução que isso trará para o rendimento da caderneta de poupança. Quando o ano virar daqui a alguns dias, com Temer sentado na mesma cadeira de onde já deveria ter caído sete vezes, será anunciado que agora sim, em 2018, começarão os verdadeiros problemas do presidente. Quando passar a faixa presidencial para o seu sucessor, em 1º de janeiro de 2019, as manchetes serão: “Caiu Temer”. Deus que tenha piedade de sua alma.
Enquanto isso, na vida real, cada vez mais gente busca o apoio do homem que tem popularidade zero.

Pinga da mesma pipa
Os ladrões, no Rio, perderam o controle sobre a própria ladroagem. “Espanaram”, como se diz.
Por J.R. Guzzo - Veja
23 nov 2017, 14h54

Cabral de frente e de perfil já preso em Bangu 9: um marco de novos tempos (Reprodução/VEJA)
De espanto em espanto, o Rio de Janeiro vai se revelando um caso de demência irreversível em matéria de corrupção. Uma pergunta à parte: quem se vê, o tempo todo, por trás disso?

A geração de brasileiros que vai chegando agora à maioridade, essa geração digital que veio para mudar o país com uma nova maneira de pensar e de reagir às questões da sociedade, está começando a vida com uma impressão inédita do significado das palavras “poder” e “público”, quando utilizadas junto. O Brasil, é claro para todos, sempre foi um país de ladrões – roubam os políticos, roubam os governos, roubam os que mandam na máquina pública, em parceria fechada, há 500 anos, com todos aqueles que de alguma forma querem subtrair algum dinheiro do Tesouro Nacional. Trata-se, hoje, de uma multidão – vão de empreiteiros monumentais de obras públicas à ONGs e artistas que assinam manifestos contra o governo. Mas mesmo assim, com toda a imensa experiência que o Brasil acumulou no convívio com o crime político (crime político, no Brasil de hoje, significa roubar – só isso), nunca houve nada de parecido com o que está acontecendo neste momento no Rio de Janeiro. A nova geração, que não viu como era antes – era apenas horrível – só pode chegar a uma conclusão, diante do que vê: a vida pública é uma aberração doentia e progressiva. Não pode ser outra coisa. Hoje é unicamente uma atividade exercida por sociopatas, um arrastão criminoso que já invadiu há muito tempo o território da demência em estágio terminal. Os ladrões, no Rio, perderam o controle sobre a própria ladroagem. “Espanaram”, como se diz.
Basta olhar dois minutos para a realidade. Três governadores (isso mesmo, 3) estão na cadeia ao mesmo tempo por corrupção avançada: Antonio Garotinho, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral, já condenado a 15 anos e processado em diversas outras ações penais como ladrão serial. O governador atual chama-se “Pezão”. Além disso, está respondendo a inquérito por receber propinas de corruptores variados.  Também estão no xadrez todos os presidentes da Assembleia Legislativa eleitos nos últimos vinte (isso mesmo, 20) anos, entre eles o tenebroso Jorge Picciani. Tanto quanto esse “Pezão”, e também denunciado na justiça, o ex-prefeito Eduardo Paes tenta escapar da cadeia pela acusação de crime eleitoral e roubalheira na construção de um campo de golfe. É como se o Rio de Janeiro tivesse se transformado num hospício, onde os loucos assumiram a direção e passaram a governar (e roubar) o resto da população.
O curioso, mais uma vez, é que quando a gente olha mais de perto, sempre aparece junto com essa gente a mesma cara de sempre – sim, ele próprio, em pessoa, o ex-presidente Lula. Tornou-se quase inevitável. Pegue-se, ao acaso, um acusado, preso ou condenado por roubalheira grossa: Lula está sempre grudado com ele. É Renan Calheiros. É Jader Barbalho. É Geddel e os seus 51 milhões. É Michel Temer. É Antonio Palocci, e mais Joesley, e mais Ike Batista, e mais as gangues dos partidos da “base aliada”. Agora é a vez do Rio. São fotos, vídeos e gravações de Lula com o sub mundo carioca, e ainda por cima com Dilma, jurando-se amor eterno e “parceria” mútua. Lula, em discurso filmado, aparece dizendo que é “um dever moral, ético e político” votar em Sérgio Cabral. Em outro vídeo, agradece “a coragem de Jair Picciani” – enquanto Cabral diz que é indispensável a união dele próprio, de Lula e do mesmo Picciani para salvar o Rio de Janeiro. Quanto aos Garotinhos, melhor nem falar. Só pode ser tudo pinga da mesma pipa, é óbvio, mas há um grande faz-de-conta nacional de que Lula nem sabe quem é essa turma. O que se sabe, com certeza, é que até Al Capone ficaria incomodado em sua companhia.

O “ex-ministro”
Correr do camburão da polícia virou coisa do dia-dia para os políticos
Por J.R. Guzzo - Veja On Line

Houve um tempo em que fugitivos da justiça, em geral, eram criminosos endurecidos pela áspera vida no sub-mundo dos fora-da-lei – gente de cara ruim e sem gravata, capazes de trocar tiros com a polícia e de meter medo em todo mundo. Mas o Brasil, como se sabe, passou por um notável processo de ascensão social nos últimos anos – e um dos resultados talvez tenha sido um up-grade, como se diz, no tipo de indivíduo que aparece atualmente na imprensa na condição de foragido das autoridades. Para começar, já não são revelados ao público no noticiário policial — migraram para o noticiário político. Podem viajar de avião, têm casa própria e compraram o seu carrinho. Também não são mais aqueles sujeitos sinistros que em geral povoam o mundo do crime (esses continuam existindo, claro, mas suas fotos já nem chegam mais à imprensa – são tantos, que acabaram perdendo a graça). Hoje o tipo clássico do fugitivo da polícia é um desses Antonio Carlos Rodrigues da vida, para citar o exemplo mais recente, que acaba de entregar-se à PF de Brasília após passar uns quatro ou cinco dias escondido. Seu crime é exatamente aquilo que você imagina: ladroagem, no caso um esquema de propinas despachadas pelos cofres do inevitável empresário Joesley Batista (campeão nacional dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff) que no momento trafega entre as operações “Chequinho” e “Caixa d’Água” da Polícia Federal. É coisa em que também está metido o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, outro grande nome da política que no momento mantém residência no sistema carcerário nacional.
O foragido da vez era até há pouco tempo um transeunte no baixo clero da política brasileira, na condição de presidente do PR – um desses bandos que se formam para vender apoio aos governos, quaisquer que sejam, em troca de cargos públicos, dinheiro e outros benefícios materiais. Também operam no lucrativo mercado da venda de minutos no “programa eleitoral” obrigatório no rádio e TV — esta fortaleza que defende o acesso dos menos favorecidos às informações políticas e garante as eleições livres neste país. Como as outras gangues partidárias que vivem no mesmo ecossistema, são tratados como essenciais para a sobrevivência da democracia no Brasil, segundo o entendimento dos mais ilustrados cérebros do nosso Direito, Ciências Políticas e demais disciplinas que se dedicam a nos ensinar o que é uma sociedade de justiça social, igualdade e respeito às minorias. Antonio Carlos — que foi preso, mas pode perfeitamente estar negociando daqui a pouco, de dentro ou de fora da cadeia, o seu apoio a algum futuro candidato à presidência da República – apareceu no noticiário, mais do que tudo, como chefe de “um partido que apoia Michel Temer”. Foi citado também como “ex-ministro”. Fora isso, pouco mais foi dito nas notícias.
Tudo bem, mas “ex-ministro” do que? De que governo? Durante quanto tempo? Se tiver paciência para fazer uma rápida pesquisa, o cidadão descobre que esse Antonio Carlos foi ministro dos Transportes. Foi ministro da ex-presidente Dilma Rousseff, e de mais ninguém nessa vida. Foi ministro durante todo o segundo mandato de Dilma – do dia 1º. de janeiro de 2015, quando ela tomou posse, até 12 de maio de 2016, quando foi afastada do cargo pelo Senado Federal e começou a contagem regressiva até a sua deposição definitiva. Ninguém é ministro por acaso durante um governo inteirinho – se ficou lá do primeiro ao último dia é porque a presidente gostava muito dele. Seu partido ficou grudado no osso do governo até o caixão baixar à cova. A soma de todas as suas realizações em benefício dos Transportes no Brasil chegou ao total de zero.
Culpa do governo Temer, sem dúvida.

Continua.

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