O desconhecido

Eu não o conhecia.
Sentei-me em um banco à espera do ônibus e ele sentou-se ao meu lado. Sabíamos que o coletivo chegaria em três minutos. Como já disse, lá as pessoas sorriem. . . E ele sorriu para mim. Pelo sotaque, foi dífícil classificá-lo como americano, suiço, russo ou latino.
– Frio hoje – disse para quebrar o frio.
– É bom! O ano tem quatro estações.
Aquilo foi uma provocação e eu aceitei.
– Tem terremoto, tornado, tsunami, vulcão. também!? - completei para ver sua reação.
– Tem sim – respondeu ele placidamente.
Perdi a paciência e disse, até meio ríspido. - E morre muita gente.
– E nasce muita gente – respondeu ele sem alterar uma única ruga de seu simpático rosto. E continuou – os astros são organismos vivos, e precisam se coçar de vez em quando, como nós quando uma pulga nos incomoda.
– Você tem uma resposta para aquela família ali, dormindo ao relento, embaixo daquela marquise?
– Ela não sabe. Nem você, talvez. Mas ela tem uma missão das mais importantes.
– Que missão poderia ser tão importante ali, sob condições tão insalubres?
– Manter os demais em pé.
Faltava um minuto para a chegado do ônibus e pensei alto: veneno e ele respondeu:
– Tudo aquilo, além do que precisamos – poder, preguiça, comida, ego, ambição, medo, raiva, ou o que for.
– O que é o medo? Perguntei.
– Não aceitar a incerteza. Aceitá-la, torna-se aventura.
– E a inveja?
– Não aceitar o bem no outro. Quando aceitamos, torna-se inspiração.
– E a raiva?
– Não aceitar o que está além do nosso controle. Quando aceitamos, torna-se tolerância
– O que é o ódio?
– Não aceitar as pessoas como elas são. Quando aceitamos, torna-se amor.
– Você falou em maturidade espiritual!?
– É quando você para de tentar mudar os outros e se concentra em mudar a si mesmo.
É quando você aceita as pessoas como elas são,
É quando você entende que todos estão certos em suas próprias perspectivas.
É quando você aprende a deixar ir,
É quando você é capaz de não ter expectativas em um relacionamento e se doar pelo bem de se doar.
É quando você entende que o que você faz, você faz para sua própria paz.
É quando você para de provar ao mundo o quão inteligente você é.
É quando você não busca aprovação dos outros,
É quando você para de se comparar com os outros.
É quando você está em paz consigo mesmo.
Maturidade espiritual, é quando você é capaz de distinguir entre precisar e querer e ser capaz de deixar ir o seu “querer”
e o mais significativo:
é quando você deixa de anexar felicidade às coisas materiais.
O ônibus chegou e fui pensando no que havia dito aquele desconhecido e percebi o quando ainda preciso aprender.

Enviado pelo Dr. Luciano.

No Comments Yet.

Leave a comment