Falhas humanas

As pessoas e suas falhas...

Uma das coisas que fascina em uma cidade como San Francisco
é o fato de ela estar localizada sobre a falha de San Andreas.
Falha geológica tangencial que se prolonga por mais de
mil e duzentos quilômetros pela Califórnia. que provoca pequenos
abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de
tempos em tempos.
Você está caminhando pela cidade, apreciando arquitetura Vitoriana,
a baía, a Golden Gate, e de uma hora para outra pode perder o chão,
ver tudo sair do lugar, ficar completamente atordoado.
É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá,
mas existe a possibilidade, e isso amedronta, mas ao mesmo tempo
excita, vai dizer que não?

Assim são também as pessoas interessantes: têm falhas.
Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade linda,
limpa, sem fraturas geológicas, onde tudo funciona
e você quase morre de tédio.

Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas.
É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz
com personalidade, um vinco na testa que as caracterize

As pessoas, como cidades, precisam ser limpas, mas não a ponto
de não possuírem máculas. É preciso suar na hora do cansaço, é
preciso ter um cheiro próprio, uma camiseta velha para dormir,
um jeans quase transparente de tanto que foi usado, um batom que
escapou dos lábios depois de um beijo, um rímel que borrou um
pouquinho quando chorou.

Pessoas, como cidades, têm que funcionar, sem ser previsíveis.
De vez em quando, sem abusar da licença, devem ser insensatas,
ligeiramente passionais, demonstrarem um certo desatino, ir contra
alguns prognósticos, cometer erros de julgamento e pedir desculpas
depois. Pedir desculpas sempre, pra ter crédito e errar outra vez.

Pessoas, como cidades, deve-se ter vontade de visitar.
Devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes.
Devem ser calorosas, generosas e abrir suas portas.
Devem nos fazer querer voltar, porém não devem nos deixar
cem por cento seguros, nunca.

Uma pequena dose de apreensão e cuidado devem provocar.
Nunca devem deixar os outros esquecerem que pessoas,
assim como cidades, têm rachaduras internas, portanto
podem surpreender.

Falhas? Agradeça as suas, que é o que te humaniza e nos fascina.

Autor Desconhecido

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