Livrai-me da falência!

explosão

Livrai-me da Falência, da Traição e da Velhice.

A How Co. estava no mercado há muitos anos e se encontrava à beira da falência. A forte recessão dos últimos anos e a má gestão financeira, haviam comprometido seriamente a saúde da empresa e suas dívidas superavam em muito o patrimônio acumulado ao longo de sua existência.
O mercado de demolições experimentou evolução tecnológica considerável, entretanto a How, cortando investimentos que deveriam ser aplicados na compra de novos equipamentos, não lançou mão de novas tecnologias, como implosão por explosivos.
Ele havia sido notificado da execução da hipoteca de sua casa, cujo prazo de pagamento, definido pelo banco, como última oportunidade, havia expirado há uma semana e todos os recursos haviam sido negados pela justiça.
Seu diretor financeiro desviara recursos da empresa durante muito tempo e quando Howard se deu conta, estava sem dinheiro e sem esposa, que havia desaparecido ao mesmo tempo que o diretor.
A execução da hipoteca da casa seria o fim de tudo. E, esgotadas todas as alternativas de que dispôs para uma eventual mudança do cenário caótico que se instalara, até mesmo um derradeiro e milagroso prêmio de loteria, como sempre, não aconteceu, viu-se num beco sem saída e decidiu tomar uma atitude radical e definitiva.
Pela manhã, após uma noite de pesadelos e suor frio, cansado e sem disposição para qualquer reação, deixou um bilhete aos credores em cima do aparador da entrada social.
Subiu até o quarto, encheu a banheira com água quente, jogou na água tudo que ainda havia de bom para um banho, ligou a hidro e permaneceu ali um tempo, sem pensar em nada.
Após o banho, desceu trajando um abrigo, tênis e o sobretudo. Tomou um lanche, sentou-se em sua poltrona preferida, não leu o jornal porque a assinatura havia sido cancelada há algum tempo. Retirou um último cubano que mantinha guardado no umidor de cedro da estante de livros. Cortou a ponta com seu cortador de ouro e ascendeu o charuto com seu isqueiro em madrepérola que ganhara da esposa no aniversário, esperou baixar a chama, olhou a brasa, e deu uma baforada longa como se fosse a última. Ficou ali sentado, degustando o charuto calmamente, acompanhando a fumaça branco azulada subir tortuosa como sua própria alma. Olhou demoradamente os detalhes da sala e decidiu que era hora de virar as costas a tudo isso.
Levantou-se e saiu, deixando a porta encostada apenas no trinco. Desceu a avenida, tranquila àquela hora de manhã de final de outono, agradavelmente fria. Caminhou lentamente não pensando em nada, apenas andando. Sua vida se resumia naquele passeio e nada mais. Viu um casal em idade avançada, sentado em um banco, como a esperar o ônibus para o centro da cidade.
Acenou-lhe com um leve movimento da cabeça e um sorriso e seguiu em frente.

O Assalto

O tiroteio deixou clientes e funcionários do Banco em pânico, e durou menos de quatro minutos e o resultado foi devastador. Um cliente baleado no ombro esquerdo, o gerente foi atingido na mão direita e um outro cliente que estava ali à espera de ser atendido pelo gerente, portando uma maleta, com dinheiro para depósito, levou uma coronhada tão forte que caiu desmaiado e teve sua maleta levada pelos bandidos mascarados. Viraram o cesto de lixo na cabeça da secretária que soluçava descontroladamente, quando gritaram com ela que, se não ficasse quieta, eles encheriam de bala o cesto com sua cabeça dentro.
O gerente, mesmo com ferimento na mão, tentou ajudar a secretária quando eles o enrolaram com fita adesiva branca que o deixou igual a uma múmia presa a uma pilastra no meio da agência. Cômico se não fosse trágico.
A polícia, acionada, chegou em pouco mais de seis minutos, uma eternidade nesses casos o que deu tempo para a fuga dos bandidos, que seguiram para o estacionamento de um supermercado, onde haviam deixado uma Van estacionada longe do alcance das câmeras, para a operação de resgate. Transferiram a maleta com o dinheiro e o pessoal para o novo carro, e deixaram o estacionamento calmamente.
Pela TV da lanchonete, onde pararam para um lanche, assistiram as imagens do banco, com vidros destruídos, e comentaram ser absurdo não mais ter segurança em lugar nenhum.
– Vamos sair daqui! Vamos cair fora! Vamu dar um rolê.
– Cara! Tô a fim de ir para casa, meu! Tô a fim de mais encrenca não.
– Tá com medo de quê o meu? Começamos!? Vamos até o fim mano.
– Que fim, cara? Tá ficando doido?

Saíram da lanchonete e seguiram pela avenida no sentido da periferia, quando viram andando calmamente pela calçada um homem bem vestido com um sobretudo azul marinho. Eles o foram seguindo até o interpelar, exigindo que ele entrasse na Van.

– Ei cara! Para aí! Para aí! Para aí! Entra no carro! Entra no carro rápido! Vamos dar uma passeio! Rápido! Tem arma aqui, cara! Nada de grito! Fica frio, é só um passeio. Senta, senta, senta rápido!
– Toca mano, foi maneiro. Foi maneiro! Vamos em frente !

O homem ficou ofegante e sem cor pelo susto, mas se recuperou rápido.

– Cara, vamos dar um passeio, e se você tiver alguma grana, passe pra cá. Se não tiver, deve ter cartão, daí vamos sacar uma grana. Dinheiro, é isso aí cara! Tá me entendendo cara?
– Perdoem-me senhores! Disse Howard. Saí de casa às pressas e acabei por deixar minha carteira com dinheiro e cartões. Espero que isso não os decepcionem. Mas assumo com os senhores o compromisso de, tão logo puder, arrumar alguma coisa.
– Cara! Que conversa é essa? Não nos leve a mal meu senhor, mas acho que teremos que matá-lo. O senhor teria alguma coisa contra? Disse o cafajeste ironizando a maneira educada e cínica de Howard.
– Não! Não faço objeções! Mesmo porque, vamos junto nessa! Mas antes devo esclarecer que a partir desse momento, caso não tenham nada contra, eu dito as regras.
Como resposta, recebeu uma agressão no ouvido direito. Isso o deixou atordoado, mas conseguiu se controlar, quando um carro de polícia passou ao lado, lentamente. Desejou que ele não parasse e a polícia desapareceu na primeira esquina, e continuaram o passeio e o malandro começou a ficar mais agressivo.
– Você esta querendo fazer a gente de besta? Perguntou o malandro.
– Claro que não! Não dá pra fazer de besta quem já é. Aliás, eu nunca tinha visto tanto estrume reunidos em uma mesma Van. Por isso o cheiro de bosta. E antes que você, o chifrudo, dê uma de macho, tenho uma surpresa para vocês.
Pegaram o cara errado!? E quem vai se divertir a partir de agora, só eu. Não demora e vocês vão se transformar em um monte de merda. É só esperar um pouco, até eu explodir o que tenho na cintura. E mostrou o cinturão de dinamite.
Houve um pequeno tumulto dentro da Van, e ele gritou:
– Olhem aqui, vagabundos! – mas esse pessoal é feio demais – pensou em voz alta.
É um mais feio que o outro. O mal encarnado em uma pessoa, a deixa horrível. É só olhar uma janela de prisão. É triste mas é verdade: parecem macacos. Um gorila é mais bonito de qualquer um desses babacas aqui.
– Ouça aqui, o cabeça de estrume de vaca! Disse ele para o vagabundo no volante: Mantenham a velocidade, sem chamar a atenção e vamos nos divertir por algumas horas

Após rir muito, retomou o controle da situação.
– Seus merdas! Vocês deram azar! Sabiam?
Deu um berro, que gerou um estado de pânico geral. Riu muito.
– E aí pessoal, onde estão aqueles caras metidos a machões? Viraram um bando de boiolas?
Havia sinais de descontroles dos marginais. – Calma pessoal, nossa festinha está só começando! Quanto tem de gasolina aí, o cabeça de vaca?
– Meio tanque! Respondeu com a voz trêmula.
– Responda alto, caceta!
– Meio tanque! Gritou ele.
– Então, seus filhos da puta, vamos nos divertir como nunca!
O mais novo deles começou a soluçar.
– O chifrudo, cala a boca desse anzol de linguiça. Não quero ninguém se borrando aqui! Ninguém vai sair daqui com vida, cambada de imprestáveis!

O Estuprador

– A menina está morta! Gritou o vizinho em desespero. Foi esganada! Vasculhem a casa! Você aí, chame a polícia rápido! Avisem os pais dela! Ei! Ei! Pare aí cara! Ei Pessoal! Ele está fugindo pelos fundos! Corram aqui! Cerquem a casa!

– Estes palhaços não vão me pegar nunca! Dane-se aquela vadia imprestável. Porra, tem muita gente atrás de mim! Não aguento mais! Pô cara! Aquela Van, é agora ou nunca!

Quase jogando o corpo na frente da Van e gesticulando muito, ele conseguiu que o motorista desviasse e fosse mais devagar. Quando foi aberta a porta e ele puxado para dentro, com dificuldade conseguiu sentar-se no último banco.
– Obrigado gente! Vocês salvaram minha vida. Não sei como agradecer!

Eles ainda ouviram a turba gritar ao longe: Assassino! Assassino!
– É você o tal assassino ? Perguntou Howard.
– Na verdade, moço, foi ela que abusou de mim.
– A menina abusou de você? E quantos anos ela tinha ?
– Uns dez anos. Respondeu.
– E com dez anos ela abusou de você? Você é um grande canalha! Tá sabendo?
– Não moço! Sou apenas um ser humano que fraquejou na hora mais difícil.
– Na hora mais difícil? Que cara de pau! Sua hora mais difícil ainda nem começou. Farei de tudo para que você chegue ao inferno ainda hoje! Vocês dois! Passa um para o banco da frente e você, cara de melancia, passa para trás! Você aí magrela! Precisamos acertar aquela agressão ali atrás. Eu não gostei. Achei muito covarde de sua parte. Agora eu vou te mostrar como funciona meu senso de justiça. Prá começar você é culpado, então, vamos executar a sua sentença. Bota sua bunda seca aqui do meu lado. Ô cara de bosta? Onde estamos? Na rodovia principal? Perguntou Howard ao excremento no volante.
– Sim, respondeu trêmulo.
– Este cara aqui está precisando de ar! E acho que temos muita gente aqui. Passe à frente da carreta branca!
– Mas ela está a 70 milhas por hora.
– Então aumente para 75! E você, condenado, deslise a porta bem devagar!
Quando o magrela abriu a porta da Van recebeu um chute nas costas com tamanha força e ódio que voou fora do veículo a quase oitenta milhas por hora, e sem que a carreta tivesse tempo de desviar, passou por cima do cara sem alterar sua velocidade.
– Pô gente boa! Ninguém desviou do primeiro condenado nosso. Ele teve sua chance de fugir! Não aproveitou porque não quis.
– O cara é meu irmão! Choramingou o cara de Capeta.
– Era! Não fique triste! Daqui a pouco você vai encontrá-lo no inferno.

– Minha esposa, gente boa, fugiu com o diretor financeiro deixando-me falido. Fiquei sem um puto, o que fazer? Morar na rua? Estou sem grana, gente boa. Duro feito o diabo. Meu patrimônio agora, são vocês, esta Van e estes explosivos enrolado na minha cintura. Que ironia! Agora vou explodir um monte. Será a primeira cidade do mundo a ter chuva de merda.
Foi quando ele apanhou uma pistola que estava embaixo do banco à frente. E sem pensar em nada, mirou na cabeça do ruivo no banco de trás e disparou duas vezes. Houve pânico e quase conseguiram virar a Van na estrada. Imediatamente, surgiu um policial de moto ao lado do carro e fez sinal para que parassem. A Van parou no acostamento, vagarosamente.
Não sei se estamos salvos ou ferrados de vez! Pensou o canalha que guiava a Van .
O policial, com a arma apontada para o motorista, mandou que ele descesse.
– Não abra a porta vagabundo! Peça ao idiota chegar aqui na janela! Gritou Howard.
– Desçam daí já! Esbravejou o policial. Completo silêncio dentro da van.
– Diga a esse filho da puta chegar chegar até aqui, Ô cabeça de porco! Berrou Haward. Abriu a janela e disse ao policial: Venha até aqui Ô sargento! Tem uma pessoa ferida aqui. Acho que o filho da puta já era.
Sem baixar a arma, o guarda chegou mais perto, quando ele disse:
– Sargento! Tenho dinamites enroladas na minha cintura. Sou uma bomba. Se o senhor der mais um passo para cá, todos vamos para o inferno agora daqui mesmo. O senhor deve ter família e quero fazer um acordo. Somos um monte de imprestáveis e não estamos nem aí se tivermos que levar mais um. Mas não é o que gostaria de fazer. Qual é o seu problema policial? Perguntou Howard.
– Disparos dentro da Van, o motorista me pareceu embriagado e um corpo foi jogado desse carro!
– Só isso? Perguntou Howard. O senhor não viu nada!
– Desçam já do carro todos vocês!
– Xi! Gente. O cara é doido! Falou para os amigos.
– Bem seu guarda! Neste caso, acho melhor o senhor continuar vivo, pois essa corja não merece sua vida. Somos apenas um monte de estrume. O acordo é o seguinte: Vamos continuar nossa viagem. E você poderá monitorar esta merda de Van. Estaremos no inferno ainda hoje. Estes caras são assaltantes de banco e tem um filho da puta aqui que acabou de matar uma menina de dez anos. Seu guarda! Nós vamos sair. Diga pro seu pessoal evitar barreiras. Tenho bomba para arrasar um quarteirão. Se pararmos em uma barreira, todo mundo morre. Não é muito bom para vocês. Volte para sua família! Vamos embora jumento! Disse para o bandido ao volante. Entraram à esquerda e seguiram por uma rodovia secundária a 90 milhas por hora.
– Ô cara de melancia, pule prá cá.
– Não ! Eu não quero morrer.
– Porra! Isso quem julga sou eu. Você gosta de balas?
Ele gaguejou um sim trêmulo.
– Passe-me esses cartuchos e você aí, faça-o engolir tudo. O desgraçado engoliu uma a uma rapidinho, quando Howard mirou no meio da testa. Ele franziu a testa de pavor. A cabeça dele deu um recuo muito forte para trás.
– Ô cabeção! Abra a porta e joga ele fora!
– Por que engolir as balas? Perguntou cabeção.
– Se for cremado, vai ter bala prá todo lado. Vai ser engraçado – disse isso e riu até quase perder o fôlego.

A SUV

Estavam indo na paz do demônio, pela rodovia secundária, quando foram seguidos por uma SUV. Alguns minutos depois, perceberam que havia dois homens no carro ao lado e começaram a forçar a parada da van no acostamento. O da direita abriu a janela e apontou uma metralhadora para o carro e e eles foram obrigados a parar. Deve ser um assalto. Pensou Howard.
– Quero todo mundo de bico calado e obedeçam as ordens dos panacas.
Dois homens do outro carro, desceram com metralhadoras. Um deles abriu a porta do motorista empurrando-o para a direita. O outro abriu a porta esquerda e puxou o cabeção para fora do carro e o forçou a entrar no banco de trás fechando a porta em sua perna que gritou impropérios ao bandido que o socou no nariz. O bandido deu a volta na van, abriu a porta esquerda e enfiou uma moça com aproximadamente 22 anos que parecia estava totalmente drogada. Ela devia estar no banco de trás da SUV. Com a encrenca toda, não foi possível ver de onde ela tinha saído. O palerma voltou para o banco do carona da frente e partiram a toda velocidade.
O comparsa do motorista gritou apontando a metralhadora para fundo da van.
– Quero todo mundo quieto! Se não perceberam, isto é um assalto. Sem gracinhas e passem a grana e armas! Tentamos assaltar um carro forte. Apagaram três dos nossos. A polícia melou tudo. Agora, a Janoca deixou uns brinquedinhos para a polícia na SUV. Porra! Passem a grana e armas gente boa! Ou eu queimo todo mundo!
Quatro pistolas foram passadas para o panaca. E a maleta com US$ 500.000,00.
– Uau! Caras o que é isso? Hoje é nosso dia de sorte! Quanta grana Pisko! Acho que depois disso vou sair de férias. Você fica com sua magrela eu vou pra Miami! Me aguardem gostosas! Gritou ele. O que é isso panacas? Assaltaram um banco?
Janoca virou para o Howard e disse, com sua voz pastosa:
– Coroa vou chupar sua banana. Você vai se derreter todo. Disse isso olhando para os panacas da frente com um sorriso malicioso.
– Pode chupar todas menina! Howard respondeu.
– Ela pensou ser outras coisas quando Howard abriu o casaco e mostrou as bananas de dinamite.
– Pode chupar todas! Aliás, não só eu vou derreter. Vamos derreter juntos! Todos nós.
– O que é isso cara? Perguntou o panaca da frente apontando a metralhadora.
– Aperte o gatilho e essa merda explode! Mas acho que podemos nos divertir mais um pouco antes que isso aconteça.
Os panacas ficaram congelados pelo susto. A menina começou a soluçar e a ter calafrios.
– Mantenha a velocidade, cabeça de corno! Hoje é mesmo o dia de sorte de vocês. E, você aí, Ô chifrudo. Ponha essa merda no chão sem gracinhas.
Howard nunca imaginou que pudesse ter um final tão agitado.
– Ô jumento! Vire à esquerda e pare naquele posto. Precisamos gasolina. Me passa a metranca, corno dos diabos. Você vai até a bomba enche o tanque e volta. E sem nenhuma tentativa besta.
Não passaram dois minutos e chegam sua esposa e o filho-da-puta do diretor financeiro. Desceram os dois do carro e vieram em direção à Van, e perguntaram onde ficava o Recanto das Borboletas. Howard mandou o panaca do volante descer e forçá-los a entrar na Van.
– Vocês vão ao recanto? Perguntou o vagabundo.
– Sim! Respondeu o filho-da-puta. Estamos precisando de umas férias.
– A gente vai para lá também, completou o Pisko. Entrem na Van! Disse ele com uma pistola na mão.
Eu estava a ponto de explodir, segurando a vontade de estourar todo mundo pelas costas. Pensou Howard. Mas... Ela merecia algumas horas de prazer. Saíram rápidos e voltaram para a rodovia.
– Bem pessoal! Disse Howard. Agora a diversão está completa, com a família reunida.
O casal olhou para trás com os olhos esbugalhados.
– Feliz meu amor? Quem diria! Mama mia, como você está linda! Quantos bons momentos passamos juntos à lareira, bom vinho, bons charutos. Quanto tempo sem desconfiar que estava sendo roubado e chifrado? Essa cambada de vagabundos, seu amante, você e eu estamos, nesse momento, indo para o inferno. Mas antes, temos umas diferenças para resolver. Sem nenhuma pressa, ficou claro?
Estavam indo pela estrada, quando passaram a ser seguidos por uma dessas camionetes grandalhonas.
– Ô cabeção! Nada de besteira! Não dê a menor atenção àqueles idiotas!
Incrível! Mas está Van atrai tudo o que não presta!
Não completou a frase quando sentiram forte batida na traseira. Mais alguns metros e outra batida, quando chegaram ao lado da Van, o idiota da direita começou fazer sinais obscenos para Janoca. Em seguida, voltaram para a traseira da van tomaram uma certa distância e vieram com mais velocidade, agora para jogar a van fora da estrada. Howard empunhou a metralhadora e sem abrir o vidro traseiro da Van, abriu fogo estraçalhando a grade, o capô e os faróis dos cretinos. O radiador ficou completamente destruído, soltando vapor por baixo do carro. Acabada a munição, Howard atirou a metralhadora no para-brisas daquela bosta que atravessou a pista e caiu no penhasco à esquerda da estrada, quando ouviram, à distância, uma explosão lá embaixo e um cogumelo de fumaça negra subir a montanha.
– Não gostei daqueles caras! Disse Howard.
Um momento depois, já todos calmos, Howard, berrou para a ex pular para o seu banco.
– Tire os sapatos, meias e a calcinha! Gritou ele em tom tão grave que ela atendeu sem pestanejar e pulou para o banco onde estava Howard.
– Antes de chegar ao inferno, tenho direito a um momento de prazer! E gritou para a canalhada:
– Aquele que nos atrapalhar leva chumbo, quero todo mundo olhando para frente e para os lados.
Chutou o vagabundo que estava ao lado, por cima do banco e ficaram sozinhos no último banco da Van.

“Ficamos no centro do banco, eu reclinei o encosto o mais que pude e enfiei as pernas embaixo do banco à minha frente ela me ficou em cima como na cela de um burro. (Aliás, bem apropriado. Embaixo dela só podia estar mesmo um asno

Tirei seu lindo vestido por cima de sua cabeça, esvoaçando seus maravilhosos cabelos loiros acastanhados e tive a visão mais linda que poderia ter daqueles últimos tempos”.
Você está linda. Sussurrei! Não sei como pude ser tão idiota de deixar acontecer o que aconteceu?
A Van flutuava no tapete negro da estrada a cinquenta milhas por hora. O teto semiaberto canalizava agradável brisa. A canalhada, como a reverenciar nosso momento íntimo, permanecia em um silêncio sepulcral, dando-nos a sensação de estarmos sozinhos.
Eu a abracei, sentindo seu perfume, seus cabelos, sua pele alva e macia, apertei-a contra meu corpo como nunca havia feito antes. E no auge da melhor das sensações que uma pessoa pode sentir na vida, tudo se passou em câmera lenta e estávamos em uma cama enorme e macia, num magnífico espaço completamente branco, e nossos movimentos aconteciam como se estivéssemos nas nuvens.
De repente uma onda de calor nos envolveu no interior da Van, sendo consumida como a celulose, cada um deles tendo seu rosto deformando-se como imagens de Salvador Dalí, começaram a desaparecer de minha visão, como numa explosão. O quarto, a cama, ela, tudo, foram se distanciando como se eu estivesse caindo em um abismo. Tudo ficou branco, silêncio, calmo, sem dor, sem medo, mais nada.

– Que houve aqui Tenente? – perguntou o repórter.
– Uma explosão.
– Uma explosão? Mas o que foi que explodiu?
– Uma Van e, dentro dela, novos hóspedes para o inferno!

Triste Fim

B.Milan

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