Do meu canto

Do meu canto, vejo seu corpo moreno, sem roupa.
Seus cabelos, suas mãos, seu sorriso, sua boca.
Seus olhos, famintos de amor, encontram os meus,
Desperto-me triste, era apenas um sonho e morreu.

Abro as janelas, lá fora, linda e fresca manhã.
Ainda quantas como esta terei pela frente?
E outras, ainda, tristes, chuvosas, cinzentas!
Dias, meses não passam, se arrastam lentamente.

De manhã,num repente,uma carta que reluto abrir.
Deixo para amanhã de manhã, pra outra manhã.
Enquanto não abro, penso: vou chorar ou sorrir?
É sua ausência que me mata. Tanto tempo sem vir.

Uma semana inteira de ansiedade, chegou a hora?
Sob o travesseiro continua lá, quase esquecida.
Enquanto não a leio, durmo só, e me conformo.
Sentindo que um dia, resignada, retorno à vida.

Sinto-me forte, depois de tanto tempo, à espera.
Primeira paixão. Primeiro amor que um dia se foi.
Chorei. Não choro mais.Tudo se revelou quimeras.
Hoje é apenas nada de quem um dia foi meu herói.

B.Milan

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