A Última Caixa!

A última caixa

Falta apenas uma caixa, aberta. As outras já foram embora.
Saio em cinco minutos, aos caras gritei.
Os últimos minutos nesta casa que tanto amei.
Há oito anos, o divórcio, o vazio, a solidão agora.

Acolhedora. A vista, um encanto. Com meus filhos,
No quintal, quanto finais de semana brincamos.
De repente, junto os cacos de uma vida quebrada.
Futuro desfeito, ilusões perdidas. . . enfim sonhamos

Parto para um novo começo. É difícil, eu sei.
Ao meu redor, silêncio, melancolia, sinto frio.
O que sobra é lixo. Não me faria falta.
Mas levo comigo, não sei, meu passado exalta.

O Martini na lareira me convida a um último gole.
Resisto.

É notável e constrangedora! Quantas coisas,
Que não me lembrava ou não sabia ter.
Nas gavetas, nos móveis que poucas vezes abri.
Algumas vão comigo, outras ficarão na lixeira
Da esquina. Ali com certeza, hão de desaparecer.

Nuas paredes, agora, gravarão novos sussurros;
Espionar amores, brigas, discussões e silêncios
Daqueles que virão depois de mim. Alguém como eu,
Entre essas paredes, vai se encontrar e ao mesmo
Tempo sentir-se perdido num vazio imenso.

Alguém que cultivará sonhos, mas sem misericórdia,
Matará suas esperanças, sem se importar quanto ao
Cruel e triste final, pois estará sempre pronto para
Começar de novo, cujas impressões, substituirão,
Gradualmente, as minhas, vivendo a mesma paródia.

Mas não só as minhas, mas também das pessoas,
Que comigo passaram aqui. Amigos, mulheres,
E entre muitos outros, Ela.

Em minhas mãos, seu rastro, seu babydoll,
Esquecido? ou deixado deliberadamente!?
Um dia quem sabe, meu coração perca uma
Batida ao me lembrar seu cheiro, agora ausente.

As sombras desenham lábios e beijos.
Segredos que os muros guardarão para sempre
Pergunto-me, sufocando, entre risos, uma lágrima,
Quanto do nosso amor deixarei aqui, dormente?

Será um eco silencioso a ressoar pelo corredor,
Na cozinha, no quarto, no chuveiro, na minha dor,
E depois no sofá, assolando o tédio da televisão,
Da fritura, dos pardais nas manhãs, da paixão,

Sorrio com lágrimas nos olhos, um sorriso triste,
Envio a mensagem: Eu te amo querida, para sempre.
Espero resposta que não vem. Dor imensa que persiste.
Fecho a última caixa e saio e fecho a porta da frente.

Maria Monda

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